Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Sinal dos tempos


Fiquei impressionado, segunda-feira passada, ao levar minha mãe a um hospital aqui perto de casa.

A identificação dos pacientes, na recepção, é feita pela colocação dos dedos em um sensor que registra suas impressões digitais.

Isso me fez prever que, em breve, não usaremos mais documentos, cartões de crédito e tampouco dinheiro.


Pagaremos nossas compras no supermercado, abriremos crediário nos grandes magazines, provaremos ter licença para dirigir ao guarda-rodoviário, nos identificaremos em repartições públicas simplesmente colocando nosso polegar sobre um pequeno leitor cibernético.

Fico a imaginar que maravilha passear pelas ruas, ir à praia, tomar ônibus, almoçar no "quilinho", pegar um cineminha, tudo isso sem precisar andar com carteira de identidade, cartão do banco, notas de papel e muito menos as inconvenientes moedas no bolso.

Toda nossa movimentação bancária passaria a ser feita só com um leve toque digital. Você recebe algum valor, transfere para sua conta, aplica, gasta, usando apenas seu polegar.

Quanto é? 50 reais. Débito ou crédito? Débito. A mocinha digita o preço, você pressiona o dedão e pronto. Ela nem precisa virar o rosto para não ver sua senha. E você nem precisa conferir, de soslaio, se ela está mesmo olhando para o outro lado.

Nossas roupas não terão mais bolsos e - ora viva! - será o fim das bolsinhas capanga e das pochetes - só por isso a nova tecnologia já valeria a pena.

Não teremos mais crianças pedindo esmolas nos semáforos, não teremos mais flanelinhas pedindo para olhar o carro. Não teremos mais trocados.

E o que é melhor ainda: não haverá mais assaltos, sequestros relâmpagos e aqueles horrorosos caminhões blindados sobre as calçadas.

Sim, será preciso inventar algum dispositivo que nos proteja da mutilação pelos ladrões, pois nesse caso ficam os anéis e vão-se os dedos.

O Manoel da padaria da esquina (perdão pela redundância) acha que isso não ocorrerá, pois, mutilado, o dedo fica frio e não aciona o sensor. Se for assim, nossos problemas estão resolvidos.

Uma amiga observou que isso já está previsto no Apocalipse. Ela não se lembra do capítulo nem do versículo, mas jura que está escrito. "Tudo está escrito", garante. 

O sinal dos tempos virá quando cada  homem for identificado pela Besta com um número tatuado no punho, ao mesmo tempo em que tragédias começam a ocorrer no mundo inteiro.

Depois dos terremotos, furacões, enchentes e tsunamis pipocando pelo planeta e desse leitor digital que vi segunda-feira passada, acho que ela tem razão.



I-Phone

O que diria Ivan Lessa sobre essa nova tecnologia de identificação digital? Provavelmente a criticaria, pois na crônica selecionada desta semana já desce a lenha no iPhone. Acesse o link para a crônica do Ivan Lessa na seção LEIA TAMBÉM, na barra direita desta página.



I-Best?

O Prêmio Ibest divulgou ontem, dia 20, o resultado dos sites mais votados do concurso deste ano. Mas deu a relação apenas dos três primeiros lugares. Esperava que dessem a votação de todos os participantes. Assim poderíamos saber quantos votos teve este modesto EscutaZé!

Quando eles pararam de dar a colocação cada blog (o que tirou a transparência da eleição), o EscutaZé! estava em 14º lugar de sua categoria, com chances de chegar a 10º na reta final.

Assim sendo, enquanto o pessoal do Premio Ibest não divulga os resultados totais, vou auto-proclamar o EscutaZé! como Top Ten. Eles que provem o contrário.


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Escrito por JLT em 22:42:08 | Link permanente | Comments (25) |